O clique

Precisamos estar abertos aos novos caminhos

Sempre gostei do campo, das montanhas e nunca sonhei em morar perto do mar. Na verdade sempre falava que eu nunca iria morar na praia. Mas como diz o ditado – nunca diga nunca. Dito e feito. Me apaixonei por Floripa durante um trabalho de montagem de um banco de imagem para uma pousada no norte da Ilha. O trabalho foi em novembro de 2010, em fevereiro do ano seguinte já estávamos, eu e minha família, morando na ilha da magia.

Neste ano, conheci a pesca artesanal da tainha, uma das principais atividades da ilha que movimenta a economia da região entre os meses de maio a junho. Em 2012, já morando novamente em Holambra, no interior de São Paulo, decidi fotografar a temporada da tainha de Florianópolis, mais especificamente, na comunidade da Barra da Lagoa. Foi uma das minhas primeiras pautas, não conhecia ninguém e não tinha feito nenhuma pesquisa prévia. Queria fotografar e apenas fui.

Passei alguns dias com um grupo de pescadores em um alojamento improvisado na beira da praia e embarquei em algumas viagens ao mar na caça dos grandes cardumes de tainha. Os pescadores não queriam deixar acompanha-los no mar, tinha medo que eu passasse mal durante a viagem e atrapalharem a pesca. Então para conseguir embarcar, tinha que chegar às 5h da amanhã no ponto de encontro dos pescadores e insistir minha entrada nos barcos. Confesso que também não sabia se iria passar mal ou não, nunca tinha feito aquilo antes. Por sorte minha, não enjoei nenhuma vez.

Quando você menos espera, tudo pode mudar.

O tempo foi passando e nada dos grandes cardumes de tainha que tanto se falava nas histórias que me cotavam. Estava sendo uma péssima temporada, nem as embarcações e nem os olheiros na costa avistavam os cardumes. Aquele ano, por uma mudança nas correntes marítima, as tainhas tinham passado longe da costa, longe das pequenas embarcações e aquela foi uma das piores temporadas de pesca da tainha à anos.

Parecia que a pauta tinha “miado” e que tinha tido um baita azar. Mas com o decorrer do tempo pude descobrir o outro lado da vida desses pescadores. O cotidiano de quem depende da natureza. Pude ver a fragilidade desta atividade e a paixão pela pesca alimentada pela esperança que faz com que todos os dias dezenas de embarcações entre no mar.

E foi ali, na cidade me mudou, no meio do mar, em uma pequena embarcação com os pescadores em busca da subsistência, que de o clique, descobri o que queria fazer pelo resta da minha vida. Fotografar a vida.

Veja o ensaio fotográfico desta viagem À espera

Momento em que descubro o que queria fazer na minha vida.

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